Dedicado à Maria e à memória de seu pai.
Por tudo o que o Porto representa para ti.
Saudade eterna, memória e felicidade.
A História respira e transpira nas paisagens por vezes coloridas, outras vezes cinzentas do Porto. É essa a magia da amálgama de casario que se estende ao longo do belíssimo Douro. A história que se esconde por trás dos edifícios degradados, das pedras escuras e graníticas que constroem uma cidade escura, inclinada, pontilhada de marcos barrocos, medievais, contemporâneos. Um trilho imenso de séculos que testemunhou a evolução de um pequeno castro pré-histórico até se tornar na invicta e brava cidade que é hoje.
Para quem não tem muito o hábito de viajar para o norte e está habituadíssimo à luz de Lisboa, chegar ao Porto é muitas vezes como fazer uma incursão pelo Estrangeiro. São inúmeros os recantos, ruas, edifícios a fazer lembrar Praga, outros locais lembram Valetta, em Malta, por causa das ruas inclinadas em direcção à água.
Mas o Porto, além de ser um berço português, é também tradição vinícola, e como jornalista de vinhos que já fui, faltavam-me resolver os terríveis pecados de nunca ter entrado nas Caves de Vinho do Porto, em Gaia, e provar do dito, e ainda percorrer o leito duriense, a bordo de um navio de cruzeiro, desde a Régua ao Porto.
Dito e feito. Objectivos cumpridos!
Recomenda-se, nem que seja só por dois dias...
Cruzeiro no Douro
Preço: 55 euros (embora haja outras opções).
Caves de Vinho do Porto, em Vila Nova de Gaia
Sugere-se também comer antes das provas. Nós até ficámos na esperança que nos colocassem uns queijinhos entre o aperitivo e o digestivo, mas o projecto ficou-se só pela imaginação. Na verdade, até que se sai feliz das caves. Feliz e um pouco cambaleante!
Há muito mais para ver, claro. Desta vez, aproveitámos para ir ao Centro Português de Fotografia, edifício impressionante da antiga Cadeia da Relação do Porto, ver as suas exposições fotográficas (a entrada é gratuita); aos Jardins do Palácio de Cristal, de onde se podem espreitar boas vistas do Porto e de Gaia; ao belíssimo Museu Nacional Soares dos Reis, onde é possível, por exemplo, ficar embasbacado a olhar cada pormenor das esculturas magníficas de Soares dos Reis ou deliciarmo-nos com os rostos das personagens retratadas naquelas telas. Há ainda a sugestão gastronómica que não quero fazer, mas que a tradição obriga. É isso mesmo, a Frán-cezinha! Bomba calórica, mas muito apreciada por estas bandas...!

De resto...? Perca-se por ruelas e calçadas, da Ribeira até à Foz, ou deixe-se levar pelo andar desencontrado do Xico Fininho, da Cantareira à Baixa, ou da Baixa à Cantareira!
Catarina Durão, 23/08/2008